segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O que todos precisam saber sobre bullying

por Wellington Malini

Apelidos, atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente são as características de um fenômeno conhecido como bullying que virou tema de um artigo publicado na revista do Ministério Público de Minas Gerais, escrito pelo promotor Lélio Braga Calhau. Caracterizado como violência moral e que pode ter consequências mais graves, o fenômeno ocorre principalmente nas escolas entre colegas de sala quando a vítima, além de receber apelidos vexatórios, é excluída do grupo e algumas vezes humilhada.

Estudioso da área de criminologia, Calhau pretende levar o assunto ao conhecimento de outros promotores para que o fenômeno seja amplamente discutido entre a classe. "O sistema criminal brasileiro atua somente nas consequências e temos que começar a buscar as causas também, e o bullying é uma das possíveis causas de violência entre adolescentes", comentou o promotor ressaltando que seu objetivo é tornar público um assunto que pode ser fator gerador de violência caso os adolescentes envolvidos não sejam acompanhados.

"Geralmente o adolescente vítima de bullying não denuncia e o caso não é punido. Isso pode ter consequências mais tarde gerando um adulto sem responsabilidade no que faz", acrescentou. Para Calhau, a vida pregressa da pessoa tem papel importantíssimo na construção do caráter de uma pessoa. "Em alguns de crimes sexuais, os autores foram abusados quando eram criança. Na hora de estabelecer uma sentença, o juiz analisa a condição de vida do réu e uma pessoa vítima de bullying pode ter desenvolvido uma personalidade voltada para o crime", disse.

Por ser um fenômeno ainda pouco conhecido no meio jurídico, conforme afirmou o promotor, as possíveis vítimas poderão não ter um atendimento adequado quando solicitarem auxílio. "Pode ocorrer de uma pessoa chegar no Ministério Público e o promotor nem saber o que está acontecendo. Pior do que a falta de providências, é a falta de um atendimento adequado", argumentou.


Escola


Mesmo com poucos livros publicados no Brasil relacionados com o assunto, o bulliyng já é trabalhado numa escola particular da cidade há cerca de cinco anos. O assunto chegou ao conhecimento da orientadora educacional Rogéria Milholo em 2003 por intermédio da mãe de um aluno. Na época com 12 anos, a criança que é considerada exemplar e muito inteligente começou a apresentar um comportamento diferente. Depois de ler uma matéria sobre bullying num jornal, a mãe do aluno identificou o fenêmeno com os problemas vividos pelo filho. A matéria foi apresentada à professora que começou a pesquisar o caso.

"Depois disso eu montei um projeto e levei ao conhecimento da direção da escola e até hoje trabalhamos o assunto com os nossos alunos", comentou a orientadora. A palavra de origem da língua inglesa e que indica uma ação, ainda não tem uma tradução para o português, e de acordo com Rogéria, de uma forma geral pode ser entendida como "valentão" (forte). "Na verdade não é um assunto novo, tornou-se mais comentado atualmente, depois que foi também identificado na internet, conhecido como cyber bullying", ressaltou Rogéria comentando que o assunto virou tema de filme: Odd Girl Out (Drama, 2005) que conta a história de uma adolescente vítima de bullying.


Pesquisa


De acordo com Rogéria, os casos são mais notadamente observados entre alunos a partir da 6ª série. "Eles são mais agressivos e estão num processo mais acelerado de desenvolvimento, ao contrário dos alunos das séries anteriores que são mais dóceis", argumentou. Numa pesquisa feita pela educadora com cerca de 400 alunos da 6ª, 7ª e 8ª séries, os apelidos encabeçam a lista das queixas mais frequentes que devido aos constrangimentos pelos quais passam, alguns chegam a pensar em deixar a escola.

Em segundo lugar estão os danos materiais, apontados pelas vítimas que têm os seus cadernos e livros riscados e até rasgados por colegas. "Na pesquisa pudemos observar que os casos acontecem, na maioria das vezes, no momento da saída. Alguns reclamam também que na formação de grupos durante trabalhos em sala, acabam ‘sobrando’. São as famosas ‘panelinhas’, que se formam. Isso é muito sério", comentou. A pesquisa mostrou também que as características físicas dos alunos vítimas de bullying são pontos destacados durante as agressões sofridas.

"Alguns têm muita dificuldade em comentar o assunto e conseqüentemente têm medo de denunciar, mas a denúncia é o primeiro passo para resolvermos o problema. A solução, no caso dos meninos, é dar o troco e com isso eles acabam sendo também agressores", afirmou. Com o trabalho realizado na escola, segundo Rogéria, os casos diminuíram e alguns alunos se sentem encorajados a denunciar e buscar ajuda. "Não posso dizer que os casos não existem mais, pois isso faz parte do desenvolvimento do adolescente. Com essas atitudes eles querem testar o grau de popularidade deles ou também impor a sua figura", explicou.

Para a educadora, o comportamento apresentado por determinados alunos, é um reflexo de uma sociedade excludente. "Essas atitudes não ajudam muito na inclusão, pois é valorizado quem sabe mais, quem tem mais, quem está dentro dos padrões de beleza e quem usa essa ou aquela etiqueta", disse. Os traumas vividos por crianças e adolescentes, poderão não ser superados e que, possivelmente ocasionarão baixa auto-estima e sentimentos negativos que poderão se refletir nos relacionamentos sociais.

"Algumas podem vir a ter depressão devido às agressões e isso pode levar, em casos extremos, ao suicídio e homicídio, como já foi registrado no exterior e aqui no Brasil. A pessoa pode se tornar um agressor em potencial que pode ter uma atitude extremada dando fim a sua própria vida ou com a da pessoa que o agride", explicou. Em seu artigo, o promotor Lélio Calhau defende que "o fenômeno estimula à delinqüência e induz a outras formas de violência explícita, produzindo, em larga escala, cidadãos estressados, deprimidos, com baixa auto-estima, capacidade de auto-aceitação e resistência a frustração".

Segundo a orientadora, o auxílio da família tem papel importante na resolução do problema. "É importante que o adolescente converse com os pais que na maioria das vezes procuram a escola. Nós estamos sempre a disposição dos alunos para conversar sobre o assunto e ao tomarmos conhecimento do caso, chamamos os envolvidos e passamos orientações", disse. Uma advertência encaminhada os pais, segundo Rogéria, é uma das formas usadas pela escola para solucionar o problema. "Se houver insistência, podemos até cancelar a matriculo do aluno. Aqui na escola, a tolerância com o bullying é zero", completou.


Sinais característicos de uma criança vítima de bullying:


1 — diminuição do interesse pela escola;

2 — queda do desempenho escolar;

3 — ansiedade, mau humor, agressividade;

4 — dificuldade de relacionamento;

5 — tristeza sem explicação

6 — falta de amizades;

7 — reclamações constantes sobre perda ou danos de objetos pessoais que podem estar sendo roubados ou destruídos por colegas


O que não se deve fazer?


1 — incentivar a criança ou adolescente a revidar para não estimular a violência

2 — satisfação diretamente com o agressor ou com os pais dele. Tal atitude agrava ainda mais o problema

3 — mudar a criança de escola antes de tentar resolver o problema pelo diálogo

4 — menosprezar o sentimento da criança dizendo que ela é boba por ficar ofendida com a "brincadeira", dos outros

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Freeganismo

O freeganismo ou gratiganismo é um estilo de vida baseado no reconhecimento de que praticamente todas as trocas monetárias e de trabalho dentro de uma economia capitalista contribuem para incontáveis formas de exploração - abuso de trabalhadores, exploração animal, fome, destruição ecológica, encarceramento em massa, guerra, distribuição desigual de recursos, transformação das mulheres em mercadoria - quase todos os problemas de que os grupos de defesa de direitos sociais, ecológicos e animais tratam.

Conceitos Básicos
Freeganos são pessoas que adotam estratégias alternativas para viver, baseadas em uma participação limitada na economia, e consomem o mínimo possível de produtos. Os freeganos defendem a comunidade, a generosidade, o interesse social, a liberdade, e a ajuda mútua, à diferença do que, segundo eles, a atual sociedade - "baseada em materialismo, apatia moral, competição, conformismo e cobiça" - pregaria.

Os freeganos afirmam que, após anos tentando boicotar produtos de corporações responsáveis por violações dos direitos animais, destruição ambiental e exploração humana, perceberam que não importa o que comprarmos, de algum modo apoiaremos alguma empresa ruim. De acordo com os freeganos, o problema não é só algumas empresas e corporações, mas do sistema econômico em si.

O freeganismo é um boicote a esse suposto totalitarismo, em que a busca do lucro teria implicações éticas, e todos os produtos algum tipo de impacto prejudicial - dos quais jamais estaríamos cientes em muitos casos. Então, os freegans evitam de comprar qualquer coisa, em todos os níveis possíveis.

O termo freegano é derivado das palavras "free" e vegano. Veganos são pessoas que não consomem produtos de origem animal ou testados em animais, em um esforço para evitar a exploração animal. Os freeganos levam isso adiante, ao acreditar que em uma economia industrial, de produção em massa, movida por lucro, a exploração acontece em todos os níveis de produção (desde a aquisição da matéria-prima, à produção e ao transporte) e está presente em praticamente tudo o que compramos.

"Trabalho forçado, destruição da floresta amazônica, aquecimento global, desapropriação de terras de comunidades indígenas, poluição do ar e da água, erradicação da vida selvagem na agricultura, manipulação de políticos para o interesse das grandes corporações, destruição de montanhas pelas mineradoras, derramamento de óleo do oceano, exploração do trabalho infantil, são apenas alguns dos vários impactos dos aparentemente inocentes produtos que consumimos todos os dias.", afirmam os freeganos.

Freeganismo na Prática
Os freeganos adotam como estilo de vida várias estratégias que são baseadas nos seguintes princípios:

Retorno ao Natural
Os freeganos praticam o "Retorno ao Natural", em que dizem: "Vivemos em uma sociedade onde os alimentos que comemos são cultivados a milhares de quilômetros de nossas casas, industrializados, e então transportados por longas distâncias para serem armazenados por um longo período, tudo isso a um alto custo ecológico. Por causa desse processo, perdemos a valorização das mudanças das estações e dos ciclos da vida, mas muitas pessoas estão se reconectando com a Terra através da jardinagem e da colheita silvestre."

Os freeganos afirmam que esses "ecologistas urbanos" têm transformado lotes cheios de entulhos em lotes verdes de jardins e hortas comunitárias. Em bairros onde as lojas mais vendem alimentos industrializados do que vegetais frescos, as hortas comunitárias fornecem uma fonte saudável de alimentação. Onde o ar está sufocado com poluentes indutores de asma, as árvores nesses jardins comunitários produzem oxigênio. Em áreas dominadas por tijolos, concreto e asfalto, os jardins comunitários fornecem um oásis de plantas, espaços abertos, e locais onde as comunidades podem se reunir, trabalharem juntas, dividirem alimento, crescerem juntas, e derrubar as barreiras que mantêm as pessoas longe uma das outras, em uma sociedade onde cada vez mais estamos isolados e distantes uns dos outros.

Os chamados colhedores silvestres nos mostram que podemos nos alimentar sem os supermercados, e tratar nossas doenças sem farmácias, nos familiarizando com as plantas comestíveis e medicinais que crescem ao nosso redor. Até mesmo parques e praças podem nos fornecer alimentos e medicamentos, nos dando uma nova visão à realidade de que nosso sustento vem ultimamente não das comidas fabricadas pelas corporações, mas da própria Terra. Outras pessoas vão além disso, se tornando ferais, se mudando das cidades e centros urbanos para morarem em comunidades alternativas e ecovilas baseadas em técnicas primitivas de sobrevivência.

Transporte Ecológico
Os freeganos têm consciência dos desastrosos impactos ecológicos e sociais dos automóveis. Todos sabemos que os automóveis causam a poluição, que é criada através da queima dos combustíveis fósseis, mas normalmente ninguém pensa nos fatores destrutivos como o desmatamento de florestas para a construção de estradas onde antes havia vida selvagem e nas mortes de seres humanos e de animais. Além do mais, o atual uso intensivo do petróleo gera o estímulo econômico que acarreta guerras e mortes como as do Iraque e em todo o mundo. Por isso, os freeganos optam por não usarem carros sempre que possível. Em vez disso, usam outros métodos de transporte incluindo caminhadas, bicicleta, skate, ou caronas. A carona enche os espaços não usados do carro, logo essa prática nada adiciona ao consumo de combustíveis como um todo.

Ocupação
Os freeganos acreditam que a moradia é um direito e não um privilégio. Por isso, pregam a prática das ocupações, que são os locais onde as pessoas (os chamados "ocupas") reabilitam imóveis abandonados e mal cuidados de modo a convertê-los em moradias ou centros comunitários com programas incluindo atividades educativas, educação ambiental, locais de encontros de organizações comunitárias etc.

Aversão pelo desperdício
Preocupados com o desperdício de materiais e energia, e também com a influência do desperdício na natureza, uma prática freegana conhecida é a colheita urbana ou mergulho em lixeiras, que consiste em buscar no lixo de varejistas, residências, escritórios, e outros locais, por bens utilizáveis, em condições razoáveis de uso, de modo a desencorajar a constante trocar do que já possuímos por produtos novos. Muitos itens utilizáveis também podem ser encontrados gratuitamente e divididos com os outros em redes de troca, como Freecycle.

Diminuição do Desperdício
Por causa das nossas frequentes coletas de lixo de nossa sociedade descartável, os freeganos estão cientes e aborrecidos pelas enormes quantidades de desperdício que um consumidor gera todos os dias, assim não querem fazer parte do problema. Por isso, os freeganos praticam a reciclagem, a compostagem, e sempre que possível consertam o que têm ao invés de jogarem fora e comprar algo novo. Tudo que é utilizável, os freeganos distribuem para seus amigos, ou doam.

Trabalhando Menos / Desemprego Voluntário
Os freeganos fazem a pergunta: "Quanto de nossas vidas nós sacrificamos para pagarmos contas e comprar mais coisas?" Para muitos dos freeganos, trabalhar significa sacrificar nossa liberdade para obedecer ordens de outros, significa estresse, chateação, monotonia e em muitos casos, arriscar nosso bem-estar físico e psicológico.

Os freeganos percebem que, "não são só alguns produtos que são ruins ou algumas companhias odiosas que são responsáveis pelos abusos sociais e ecológicos em nosso mundo, mas sim todo o sistema em que estamos trabalhando. Como trabalhadores, nós somos a engrenagem nessa máquina de violência, morte, exploração e destruição. O funcionário de um abatedouro que corta o pescoço de um boi é menos responsável pela crueldade que ocorre na criação de animais do que o funcionário da fazenda onde eles são criados? E o publicitário que descobre como fazer o produto mais aceitável? E o contador que trabalha para um açougue para fazê-lo continuar vendendo? Ou o trabalhador da indústria que fabrica os refrigeradores para conservar a carne? E é sempre, claro, o presidente das corporações que carregam toda a responsabilidade por tudo isso, por tomarem as decisões que causam toda a destruição e desperdício. Você não precisa possuir uma ação de uma corporação ou possuir uma fábrica ou uma indústria química para carregar a culpa", são alguns dos pontos levantados pelos freeganos em relação ao trabalho.

"Sanando as necessidades básicas como alimentação, moradia, vestuário e transporte sem gastar um centavo sequer, os freeganos são capazes de reduzir enormemente ou completamente eliminar a necessidade de constantemente estarem trabalhando. Ao invés disso, eles podem dedicar o seu tempo livre cuidando de suas famílias, se voluntariando em suas comunidades, e se juntando a grupos de ativismo que lutam contra as práticas das corporações que por outro lado poderiam estar nos controlando no trabalho. Para alguns, o desemprego total é uma opção, mas limitando nossas necessidades financeiras, até mesmo aqueles de nós que precisam trabalhar podem estabelecer limites conscientes no tanto que cada um trabalha, assumindo total controle de nossas vidas, e escapando da constante pressão de ganhar um salário no final do mês. Mas, mesmo se precisamos trabalhar, não precisamos conceder total controle aos nossos patrões. O espírito freegano da cooperação também pode se estender dentro do local de trabalho, como parte de uniões trabalhistas.", afirmam.

Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Triste realidade

No início do segundo semestre de 2009, uma pesquisa relacionaou Governador Valadares no segundo lugar no ranking de homicídios entre adolescentes. A cidade está atrás apenas de Foz do Iguaçu, no Paraná, que encabeça a lista. A cidade paranaense registra o maior índice (9,7) de jovens assassinados em cada grupo de mil adolescentes, considerando a idade entre 12 e 18 anos. O valor é mais de três vezes superior à média nacional.

Governador Valadares aparece com 8,5, e Cariacica, no Espírito Santo, com 7,3. O estudo avaliou 267 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. A média do Índice de Homicídios na Adolescência é de 2,03. A estimativa é que, de 2006 a 2012, o número de adolescentes assassinados no Brasil ultrapasse 33 mil.

Mais da metade do autores estão soltos

A exemplo do texto acima, esta matéria também foi publicada no jornal Diário do Rio Doce, em Governador Valadares, no ano de 2008 e foi postada apenas como composição de um portifólio.

De acordo com dados apresentados na última reunião do sistema de Integração e Gestão de Segurança Pública (Igesp), em dezembro do ano passado, mais da metade (52%) dos envolvidos presos foram liberados mediante alvará de soltura. De acordo com o delegado Vinícius da Silva, cerca de 1.700 inquéritos de crimes contra a vida estão em andamento na delegacia. "A grande maioria deles é um passivo herdado da época em que não havia agentes suficientes para investigar, pois eram apenas um delegado e dois agentes. Além disso, não existia o GIIE", afirmou.

Em Valadares a resolução de inquéritos é considerada rápida em comparação com outros estados, onde se leva mais tempo para resolver um caso de homicídio. Segundo o delegado Silva, o fechamento de um inquérito tem ocorrido dentro de 45 dias. "O prazo legal é de trinta dias para casos em que o suspeito ainda não foi preso, mas isso é difícil, pois as investigações de um homicídio, principalmente quando o suspeito está solto, são complexas", disse.


Perfil/vítimas


A Polícia Civil começou a fazer um estudo sobre o perfil das vítimas. O trabalho, segundo o inspetor Hélio Cássio, tem como objetivo identificar se a vítima tinha envolvimento em crimes contra o patrimônio ou no uso ou tráfico de drogas. "No estudo feito, as pessoas entre 18 e 24 anos são as principais vítimas, e é dessa faixa etária a maioria das mortes".

A pesquisa foi realizada entre outubro de 2007 e novembro de 2008. O resultado mostrou que das 117 vítimas pesquisadas 44,44% (52) tinham antecedentes criminais e 29% não tinham antecedentes. Outro dado levantado na pesquisa é referente ao período do mês em que os crimes são cometidos: 75% deles aconteceram entre os dias 6 e 20 de cada mês. "Eu tinha muita informação referentes aos crimes e resolvi fazer a pesquisa para ajudar nos trabalhos de investigação e resolução dos crimes", afirmou Hélio Cássio, ressaltando que os dados estatísticos estão à disposição dos órgãos de segurança pública. (W.M.)

PC revela novos dados de homicídios

Esta foi uma matéria publicada no jornal Diário do Rio Doce, em Governador Valadares, no ano de 2008. Ela foi postada apenas como apresentação do trabalho que desenvolvo.

Pesquisa feita entre 2006 e 2008 deste ano apontou queda de 46% nos crimes de assassinatos em Governador Valadares
por Wellington Malini
da Redação


A Delegacia de Crimes contra a Vida (DCCV) apresentou este mês dados estatísticos que apontam, em Governador Valadares, uma redução de 46% e 44% no número de crimes de homicídios consumados e tentados, respectivamente. O resultado, segundo os responsáveis pela DCCV, se deve, entre outros aspectos, ao trabalho realizado pelo Grupo Integrado de Intervenção Estratégica (GIIE), criado em dezembro de 2006.

Os números justificam a criação do grupo, já que em 2006, antes da criação do GIIE, a Polícia Civil (PC) contabilizou um total de 196 homicídios e 325 tentativas. Em 2008 esses números caíram para 105 homicídios e 180 atentados. A Polícia Civil fechou o último ano com metade da média de homicídios registrados em 2006, que era de pouco mais de 16 a cada mês.

A redução dos homicídios contabilizada pela DCCV de 2008 em relação a 2007 foi de 13,22% (121 para 105) e os casos de homicídios tentados tiveram uma redução de 2,57% (194 para 189). "Os números demonstram que estamos no caminho certo. A curva está em descenso", afirmou o inspetor Hélio Cássio, responsável pela confecção dos dados estatísticos.


Estado


Uma pesquisa apresentada pelo governo do Estado confirma os dados da PC em Valadares. Embora a taxa média de crimes violentos no município — para cada 100 mil habitantes — ainda seja considerada "muito alta", de acordo com o Anuário de Informações Criminais da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), os dados demonstram uma redução dos crimes violentos em todo o Estado desde 2005. Segundo dados da pesquisa, os registros de crimes violentos contra a pessoa, no terceiro trimestre de 2008, apontam uma redução de 22,98% em relação ao trimestre equivalente em 2007.


Preocupante


Mas mesmo com a redução dos crimes violentos conforme apresentado pela DCCV, um dado ainda preocupa: Valadares, com 260 mil habitantes, segundo dados da Seds tem média superior de 1,8 ocorrência de homicídio registrada (média de 2,15) para cada 100 mil habitantes — Juiz de Fora, que tem taxa de 0,35, possui 513 mil habitantes.

Formado por 22 policiais civis e militares, o grupo foi instituído para atuar especificamente em investigações de crimes contra a vida, agindo desde o momento da consumação do crime até o levantamento de informações sobre o fato e os envolvidos. São cinco equipes que se revezam nos trabalhos, 24 horas por dia.

A DCCV, que é presidida por três delegados, possui uma estrutura para atender exclusivamente aos crimes de homicídio e atentados. São sete viaturas, dez agentes, três escrivães e um inspetor — entretanto, segundo os responsáveis, o efetivo poderia ser maior.


Prisões


Outro fator apontado pelo delegado Vinícius Sampaio, da DCCV, para a redução dos crimes violentos é o grande número de prisões efetuadas nos dois anos de atuação do GIIE. "O resultado se deve a um conjunto de ações, como o trabalho do GIIE, as prisões feitas, as várias operações realizadas em conjunto com a Polícia Militar e outras delegacias, como a Antidrogas [DEA — Delegacia Especializada Antidrogas] e o apoio do Poder Judiciário e do Ministério Público", afirmou, lembrando que o número de prisões em flagrante também cresceu após a criação do GIIE.

"Devido à resposta rápida dos policiais que integram o grupo, vários suspeitos de homicídios e atentados já foram presos, e inclusive muitos inquéritos já foram concluídos", destacou. Desde 2006, o grupo integrado prendeu 192 criminosos. "As pessoas têm acreditado no nosso trabalho, e a confiança é tão grande, que algumas testemunhas têm nos procurado para denunciar e até colaborar na resolução dos casos", acrescentou Sampaio.