Prefeitos vão a Brasília cobrar ponte
Após a obstrução da ponte, os prefeitos da Ardoce decidiram formar uma comitiva para cobrar do governo federal
Por WELLINGTON MALINI
A obstrução da ponte na BR-259 sobre o rio Manhuaçu, em Aimorés (a 151 quilômetros de Valadares), na manhã de ontem, foi mais uma etapa das mobilizações previstas pelos 13 prefeitos filiados à Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Doce (Ardoce), que pretendem agora ir a Brasília para cobrar do governo federal a construção de uma nova ponte.
O objetivo da mobilização de ontem foi chamar a atenção de motoristas e da comunidade sobre as condições precárias da ponte. Entretanto, as ações dos militares da 8ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito, da Polícia Militar (8ª Cia. PM Ind. MAT), assumindo seu papel de facilitador do trânsito, desviaram o fluxo de veículos e o movimento em direção à ponte foi pequeno.
Durante cinco horas, prefeitos de diversos municípios localizados ao longo da BR-259 participaram da mobilização. O trânsito foi desviado pela PM ainda no distrito de São Vítor, trecho por onde passam os veículos que saem do Leste de Minas em direção ao Espírito Santo. Próximo à ponte, outros dois acessos foram usados como desvio para os motoristas. Um deles passando pela cidade de Itueta (132 quilômetros de Valadares), que, assim como o primeiro, dá acesso à cidade de Aimorés.
Devido ao desvio do trânsito e ao pequeno movimento próximo à ponte, cogitou-se a possibilidade de estender a obstrução, mas a idéia acatada pela maioria dos prefeitos foi a organização de uma comitiva para ir a Brasília cobrar do governo medidas para resolver o problema.
Os que passavam pela ponte, antes da interdição, não escondiam o temor de passar pelos seus 116 metros de extensão. A ponte já passou por várias reformas, e em 2003, durante a construção da usina de Aimorés, foi palco de um acidente envolvendo um caminhão carregado de brita. A estrutura, cuja carga máxima permitida é de 20 toneladas, não suportou o peso e desabou. "Dá medo. Ela balança muito! Meu receio é que ela não aguente e caia novamente", destacou Paulo Henrique Gávio, que passa diariamente pelo trecho.
Morador da cidade de Itueta, Teobaldo Gaede, que passa pela ponte três vezes por semana, destacou a preocupação com a estrutura. "A impressão que dá é que será preciso morrer alguém para que se tomem providências." O trânsito na ponte, em dias normais, segundo moradores vizinhos , chega a dois mil carros por dia.
Na entrada do pontilhão, uma placa informa que, assim como a via, a ponte é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) e destaca o telefone (33-3272-2567) para reclamações. "Os deputados já se mobilizaram e tentam nos ajudar a conseguir a construção de uma nova estrutura, mas as coisas não acontecem", afirmou Neyval José de Andrade, presidente da Ardoce e prefeito de Conselheiro Pena.
De acordo com ele, o deputado federal Paulo Abi-Ackel (PDT-MG) enviou comunicado à associação, no dia anterior ao evento, e destacou os vários ofícios encaminhados ao Dnit e ao governo federal. Em junho de 2008, em resposta ao último documento enviado pelo deputado, o diretor-executivo do Dnit informou que "já existe destinação de recursos e que está sendo aguardada a aprovação pela Procuradoria-Geral Especializada [do Dnit] para que possa ser repassada a verba para o Exército iniciar as obras", disse Andrade.
Há a necessidade de um projeto que, segundo informações passadas ao prefeito de Aimorés, Marcelo Marques (PMDB), já está concluído e teve um custo de R$ 476 mil. Entretanto, ele não foi entregue por falta de pagamento. "Conclusão: a obra não começa e a situação continua a mesma", disse Marques.
Ponte precária e BR danificada prejudicam economia da região
Por WELLINGTON MALINI
da Redação
Considerada um dos principais pontos de escoamento da produção da região, inclusive do Vale do Aço, a ponte de Aimorés é vista por muitos como um gargalo na BR-259, que dá acesso ao porto de Vitória, no Espírito Santo. Por ela passam cerca de 2 mil veículos, entre os de passeio e de transporte de mercadorias, como é o caso da Cooperativa Agropecuária de Resplendor (Capel). De acordo com César Romero e Silva, presidente da empresa, cerca de 80% da produção que sai da cooperativa passa pela ponte.
"São 7 milhões de litros de leite por mês e uma produção diária de 240 mil litros. Sem contar que 40% do leite que sai de Aimorés vai para a Capel", comentou Silva, destacando o prejuízo, que pode gerar desemprego. "Se precisarmos interromper a captação de leite em Aimorés, alguns produtores ficarão prejudicados, e teremos que buscar outras fontes."
Uma das alternativas de mudança no trajeto da viagem para evitar a passagem pela ponte é o acesso pela cidade de Mantena, o que aumenta a viagem em direção a Colatina em até 340 quilômetros. "A pessoa vai andar mais, pois Colatina está a 60 quilômetros da ponte", afirmou Marcelo Marques, prefeito de Aimorés.
As condições precárias da ponte e a limitação de peso sobre ela têm causado reflexos no comércio da região e, segundo o empresário Ronaldo Nicoli, dono de posto de combustível em Resplendor, a 22 quilômetros de Aimorés, uma queda de 40% no movimento é estimada. "Os caminhoneiros deixaram de passar por aqui com medo de serem multados por excesso de peso, e com isso eu deixo de vender óleo diesel."
A venda do produto, que era de 400 mil litros mensalmente, caiu para 280 mil. "Perdemos venda, mas as nossas despesas são as mesmas, e com isso é possível — caso piore — que tenhamos de mandar gente embora", argumentou Nicoli, ressaltando que os carros só passam vazios.
Mesmo correndo o risco de ser multado, o caminhoneiro Ricardo Tartaglia, de Colatina, se arrisca a passar pela ponte, mesmo com sua carga excedendo a máxima em sete mil toneladas. "A volta por Mantena é muito longa, e eu gasto mais, por isso me arrisco a passar pela ponte, e ainda corro o risco de ser multado", disse.
A falta de acostamento e o mato encobrindo placas demonstram o descaso com a BR-259, que acumula buracos em vários trechos. Em alguns deles os motoristas têm de usar o acostamento para passar, como acontece próximo a Galiléia, onde 80% da pista desmoronou com as fortes chuvas do início do ano. Quebra-molas instalados nos dois sentidos da via sinalizam o trecho, enquanto motoristas se arriscam em parte da pista onde apenas um carro passa. O asfalto cedeu cerca de quatro metros de altura e a cratera formada há aproximadamente quatro meses tem mais de 20 metros de diâmetro. O DIÁRIO DO RIO DOCE tentou entrar em contato com a assessoria do Dnit, mas ninguém foi encontrado para falar sobre a situação da rodovia e da ponte.
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